Mais um produto para o tráfico

Tão incrível quanto a “guerra civil” que o Rio de Janeiro passou nos últimos dias é a nova portaria da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Proibir aditivos que dêem sabores aos cigarros.

De acordo com as matérias publicadas nas páginas virtuais das revistas Veja e Exame, ambas da editora Abril, e Estadão on-line, a ANVISA através de uma portaria irá realizar uma consulta pública para resolver tal questão. Tão óbvio quanto a pesquisa da rede Globo de televisão sobre a quantidade de moradores que sofreram algum tipo de abuso dos agentes envolvidos na ação de ocupação dos complexos do Alemão e da Penha, sabemos que também será desta maneira a realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Esclareço que não sou mais fumante, mas não crítico aqueles que fumam, preso pela liberdade dos corpos. Ninguém pode ser impedido de fazer com sua vida o que bem entender. Não quero que pensem que por meio deste texto estou querendo defender aqueles que fumam cigarros “doces”, mas chamo sua atenção para o próximo produto do tráfico.

Basta olhar para o passado e iremos lembrar da proibição das drogas, deu resultado com a maconha? Cocaína? Ecstasy?  Heroína?…

A proibição está ai e o Estado muito mal sabe o que fazer com ela. Sempre colocam a culpa em cima do usuário, alegando que se não houvesse que compra não haveria quem vender, aquela famosa frase “É a lei da oferta e da procura”. Querem fazer o mesmo com os cigarros “doces”. Hoje há milhares de fumantes, seja lá por qual motivo, que consomem tais cigarros e da noite para o dia o Estado quer impor mais uma proibição, deixando um mercado altamente movimentado sem vendedor legal e regulamentado.

Esta proibição terá os mesmos beneficiários já existentes com o tráfico. Criminosos do colarinho branco, policiais corruptos, traficantes e os políticos que vão ganhar mais argumentos de promessa para sua campanha eleitoral – “Acabar com o tráfico de cigarro “doces”. Mercado para esse “comércio” não faltará, quem hoje fuma dificilmente irá deixar de fumar, algo que ocorreu da mesma maneira com a maconha, por exemplo. Em alguns anos muitos irão fumar por ser ilegal, outros para fazer parte de uma “tribo” social e, ainda, maiores do que os anteriores, terá aqueles que fumam por gostar.

Cada vez mais a soberania do Estado em querer nos controlar aumenta e a burguesia apenas aplaude, de mãos vazias para nos apontar e de boca cheia para nos detonar. Só resta saber quem sai perdendo com essa guerra, nós que mais uma vez perdemos a nossa liberdade ou aqueles que por culpa do Estado vivem a margem da sociedade?

Não consigo, por mais que queira, vislumbrar um Estado no qual leis autoritárias e anti-libertárias possa ter um futuro sem tráfico e nada marginalizado. Infelizmente o Brasil é apenas um tabuleiro, rolam-se os dados e o jogo é feito, de um lado os interessados e do outros os prejudicados.

Agora já sabem, a culpa será do fumante de cigarro “doce” que financia o tráfico e o cigarro “doce” ocupará o lugar da maconha e será o caminho de entrada para drogas mais pesadas.

Segue links com as matérias já citadas:

http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/diversos/cigarro-doce-nao/

http://exame.abril.com.br/economia/brasil/noticias/anvisa-quer-proibir-substancias-aromatizantes-e-que-dao-sabor-a-cigarros

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,anvisa-quer-proibir-substancias-aromatizantes-que-dao-sabor-a-cigarros,648102,0.htm

ANVISA

Por Diogo Marinho e Sá

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