Velha política, corrupção e manutenção de interesses

Cassado por improbidade administrativa, o ex-prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia precisará recorrer da sentença que o mantém afastado das urnas por cinco anos e, caso seja mal sucedido no recurso ao Tribunal de Justiça, o partido dele, o Democratas, sofrerá mais uma pesada derrota no panorama político nacional, após os episódios que afastaram o então governador do Distrito Federal José Roberto Arruda e, agora, o senador Demóstenes Torres. Em todos os fatos que atingem a agremiação de extrema direita, a improbidade administrativa está no centro das ocorrências.

Cesar Maia, que esperava voltar à vida pública como vereador nas próximas eleições, além dos direitos políticos cassados por cinco anos, também foi condenado na ação movida pelo Ministério Público Estadual (MPE) ao pagamento de multa no valor de R$ 149.432,40. A decisão, divulgada no início da noite desta quarta-feira, coube ao juiz Ricardo Coimbra da Silva Starling Barcellos, da 13ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). O magistrado encontrou irregularidades no contrato e na execução de obras e serviços – orçados em R$ 149.432,40 – da construção da Igreja de São Jorge, em Santa Cruz, na Zona Oeste da cidade.

A cassação de Maia abre um novo panorama para as eleições deste ano e fortalece a candidatura do atual prefeito, Eduardo Paes, à reeleição. Maia e o ex-governador do Estado e deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) fizeram uma aliança para lançar seus filhos Rodrigo e Clarissa à sucessão municipal, ora prejudicada pela decisão judicial. Pouco tempo depois de anunciada a sentença, em nota, o ex-prefeito afirmou que pretende recorrer, mesmo sem conhecer, exatamente, o teor da decisão.

“Sequer sei do que se trata. Mas, como é na primeira instância, o recurso esclarecerá tudo. Aliás, como tem sido”, disse Cesar Maia aos jornais.

Junto com o ex-prefeito, três funcionários da RioUrbe, órgão responsável pelo contrato, também foram condenados ao pagamento da mesma multa: Jorge Roberto Fortes, diretor-presidente, Gerônimo de Oliveira Lopes, diretor de Administração e Finanças, e Lourenço Cunha Lana, assessor jurídico.

7/6/2012

Fonte : http://correiodobrasil.com.br/cassacao-de-cesar-maia-altera-horizonte-politico-do-rio/466048/