Dez anos após descriminalização, abuso de drogas cai pela metade em Portugal

Os guerreiros da guerra às drogas muitas vezes afirmam que a legalização ou descriminalização das drogas nos Estados Unidos aumentaria o consumo vertiginosamente. Felizmente, temos um exemplo real dos verdadeiros efeitos de acabar com a violência, a caríssima Guerra às drogas e substitui-la por um sistema de tratamento para usuários.

Dez anos atrás, Portugal descriminalizou todas as drogas. Uma década após esta experiência sem precedentes, o abuso de drogas caiu pela metade:

Especialistas da área da saúde em Portugal disseram nesta sexta-feira que a decisão de Portugal há 10 anos para descriminalizar o uso de drogas e tratar os viciados em vez de puni-los é uma experiência que deu certo.

“Não há dúvida de que o fenômeno da dependência está em declínio em Portugal”, disse João Goulão, Presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência, numa conferência de imprensa para marcar o 10º aniversário da nova lei de drogas.

O número de viciados considerados “problemáticos” – aqueles que repetidamente usam drogas “pesadas” e usuários de intravenosas – tinham caído pela metade desde o início dos anos 90, quando o valor era estimado em cerca de 100.000 pessoas, disse Goulão.

Outros fatores também tiveram parte nesse avanço, Goulão, médico acrescentou.

“Este desenvolvimento não pode ser apenas atribuído a descriminalização, mas a uma confluência tratamento e políticas de redução de danos.”

Muitos desses procedimentos de tratamento inovador não teriam emergido se viciados continuassem a ser presos e criminalizados em vez de tratados por médicos especialistas e psicólogos. Atualmente 40 mil pessoas em Portugal estão sendo tratadas por abuso de drogas. Esta é uma maneira muito mais barata e muito mais humana para enfrentar esse problema. Ao invés de trancar 100.000 criminosos, os Portugueses estão trabalhando para curar 40.000 pacientes e afinar uma abordagem totalmente nova de conhecimento de tratamento ao mesmo tempo.

Nada disso é possível quando se está numa guerra.

Fonte: forbes.com