Bolívia abre possibilidade de legalizar a maconha

O governo da Bolívia abriu a possibilidade de legalizar a maconha para enfrentar o tráfico de drogas como o Uruguai pretende fazer, considerando que a luta contra as drogas através da repressão fracassou. Alguns países latino-americanos analisam outras altrenativas para o problema das drogas. Estados Unidos e as Nações Unidas já sabem”, disse a Ministra das Comunicações, Amanda Davila.

Segundo a porta-voz do governo, a perseguição gerar violência radical entre as forças especiais envolvidas na luta contra o tráfico de drogas e gangues criminosas.

O Congresso do Uruguai, debate a legalização da maconha no país para combater o tráfico de drogas. Além disso, o governo do presidente uruguaio, José Mujica esquerdista, prometeu trazer esta estratégia para combater esse crime em vários fóruns internacionais, argumentando que o atual modelo na luta contra as drogas fracassou. Ele disse que atualmente há uma grande discussão com os líderes mundiais sobre a possibilidade de tomar uma rota alternativa para a proibição.

Para a ministra boliviana, um desses caminhos é proposto pelo Uruguai, e “é por isso que vamos passar a legalização da maconha. Porque a interdição e a repressão das quadrilhas de delinqüentes só causam mais violência”.

Nesse contexto, ela disse que enquanto a Colômbia reduziu a violência pelo tráfico de drogas, todos os grupos de traficantes de drogas mudou-se para Argentina, México, Brasil e outros países. “Se há violência na luta contra o tráfico de drogas, é porque é uma atividade ilegal que leva à chantagem, preços mais elevados e maior criminalidade.”

“É uma luta que falhou, portanto, pouco tem a dizer aqueles que apoiaram esta luta”, disse ela.

Quanto ao aumento de plantações ilegais de coca, a ministra disse que os percentuais são mínimos em comparação com outros países produtores na região. “O cultivo de coca aumentou menos em comparação com outros países, onde milhares de hectares são cultivados, apesar dos milhões de dólares investidos e operações conjuntas com os EUA”, disse ela.

A ministra informou que ela pediu ao czar antidrogas dos EUA, Gil Kerlikowske, um esclarecimento sobre um relatório publicado há algumas semanas. que afirma que a Bolívia ocupa o segundo lugar na produção de cocaína na região.

Ela disse que o governo não tem o número exato de quanta coca é desviada para o narcotráfico ou o quanto é destinado para o consumo tradicional, mas que será definido em um estudo realizado com o apoio da União Europeia.

Enquanto isso, o governo uruguaio continua com o plano com e a postura da Comissão Global sobre Política de Drogas, composto pelos ex-presidentes do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, da Colômbia, Cesar Gaviria, e do México, Ernesto Zedillo, entre outros, que defende que a guerra contra as drogas fracassou.

Também garante que a proposta uruguaia não se opõe a todas as regras internacionais e lembra que as políticas de drogas têm implicado no gasto de milhões de dólares, ultrapassou a capacidade das prisões, os sistemas judiciais que transbordou e se transformou num negócio milionário ilegal, embora não impeça a expansão do consumo.

Ao comentar sobre o relatório da cooperação antidrogas que a cada ano os EUA emite, Dávila disse que “na Colômbia diminuiu a produção de cocaína porque eles investiram bilhões de dólares do Plano Colômbia,ainda que a luta contra o tráfico de drogas é considerado um completo fracasso.

“Por isso, precisamos tomar com pinças declarações do secretário antidrogas. EUA coloca em segundo na produção de cocaína da Bolívia, mas os dados parecem muito felizes tomadas por falta de boa informação sobre as culturas “, disse ela.

Davila questionou o relatório dos EUA porque, segundo ela, esse país é mostrado como o grande defensor da luta contra o tráfico de drogas, sem mencionar o gigantesco mercado consumidor que tem.”

Fonte: LaJornada