I Semana Canábica de Santos e Região

Uma semana para discutir, aprender e trocar informações sobre a planta cannabis sattiva – origem, história, uso, repressão, proibição, aspectos morais, legais, médicos, científicos, etc.

http://marchamaconhasantos.blogspot.com.br/
http://www.facebook.com/events/262927390492620/

Programação

1 de setembro, sábado – a partir das 19h:
Festa de abertura da Semana Canábica
Apresentação: Test (SP) e Projeto Vappa (Baixada Santista)
Local: Casa DE famíliA – rua Júlio Conceição, 241 – 33261455
Entrada: R$5 (arrecadação de fundos para ajudar nos custos da semana)

2 de setembro, domingo, 18h:
Filme: “Grass – a história da proibição” (distribuído no Brasil pela revista Super Interessante)
Debate: Drogas e civilizações – uma relação antiga e pouco compreendida
Debatedores: Giulius Cesari Gomes Aprigio (historiador), Ricardo Shiota (antropólogo) e Mauro Leonel (professor)
Local: Cinemateca Maurice Legeard – Rua Ministro Xavier de Toledo, 42 – Campo Grande/Santos

4 de setembro, terça-feira, 19h:
Filme: “Cortina de fumaça”
Debate: Quem tá doente é o sistema social – a criminalização da pobreza, as políticas públicas controversas, os males da repressão, as burocracias das leis e as formas do Estado (não) lidar com a questão.
Debatedores: Annie Louise Saboya Prado (Psicóloga Social) e Osmar Golegã (advogado)
Local: Sindicato dos Metalúrgicos – Av. Ana Costa, 55 – Santos

5 de setembro, quarta-feira, 19h:
Filme: “Quebrando tabu”
Debate: O proibicionismo como atravancador da Saúde – Maconha Medicinal e Políticas de Saúde para dependentes químicos
Debatedores: Renato Filev (maconha medicinal) e Bruno Ramos (Ong É de Lei)
Local: Unifesp – Av. Ana Costa, 95

6 de setembro, quinta-feira, a partir das 18h:
Sarau de encerramento – Vamos reunir poesias, desenhos, fotografias, músicas e toda e qualquer livre expressão cultural e/ou artística relacionad@s ao uso consciente das substâncias alteradoras de consciência.
Pesenças confirmadas: Reggay 420, Vela 4:20, Olivia Laba, Gigi, Tubarão Dulixo, etc.
Traga a sua produção e participe!
Local: Centro dos Estudantes de Santos e Região (CES) – Av. Ana Costa, 308

A entrada para os filmes, debates e sarau é gratuita.

Atenção: o consumo de substâncias ilícitas é proibido. Esse evento não tem intenção de incentivar o consumo de nenhuma substância.

O PROJETO

• Atividades de formação e informação para garantir um debate amplo sobre um tema tão complexo.

As drogas estão presentes em nossa sociedade desde os tempos mais remotos, no entanto, hoje em dia pouco se sabe sobre seu histórico – seu uso em civilizações antigas, seu papel social, seus reais efeitos, sua aplicabilidade têxtil, sua importância comercial em outros momentos. O gigantesco tabu em torno da questão, somado a desinformação geral sobre o assunto gera um grande desencontro de ideias. De um lado, Igreja, polícia, e outros setores mais conservadores da sociedade seguem insistindo na repressão a todo custo. De outro, movimentos sociais e até mesmo algumas instâncias do Estado questionam o modelo atual de combate às drogas. Nesse contexto, alguns passos tímidos são dados em direção a uma política mais democrática, porém, ainda existe muita poeira escondida embaixo do tapete e nenhum avanço será efetivo enquanto a discussão não se basear em dados e análises reais.

A proposta do Coletivo Marcha da Maconha de Santos é abrir o espaço, chamar o público e discutir abertamente sobre a atual política de drogas, suas causas, efeitos, resultados e consequências. A ideia é reunir pesquisadores, profissionais da saúde, militantes políticos, advogados e sociedade em geral, além de filmes, cartilhas e outros materiais que ajudem a dar suporte e embasar o debate.

• Locais: O evento irá ocupar diferentes espaços da cidade, a fim de fomentar a discussão em diversos meios – artísticos, culturais, acadêmicos, trabalhistas, etc.
• Período: 01/09 a 07/09
• Instituição Promotora: Coletivo Marcha da Maconha / Santos

INTRODUÇÃO

A semana reunirá filmes, debates e palestras a respeito da proibição das drogas e suas implicações. As últimas ações do Supremo Tribunal Federal reforçaram o direito a liberdade de manifestação, discussão e expressão sobre o tema e ainda esse ano, muitas mudanças podem acontecer no âmbito legal. A proposta é reunir informações e produzir ferramentas para garantir ampla compreensão da questão e proporcionar um debate embasado na realidade.

Para isso, alguns pontos devem ser abordados, questionados e discutidos amplamente. Entre muitos outros, são eles:

• a hipocrisia do tratamento ao tráfico, os dados da guerra falida e os efeitos da repressão;
• o prejuízo científico da proibição ao uso medicinal;
• o tratamento inadequado ao dependente químico, que desumaniza e frequentemente leva a recaídas;
• a inconstitucionalidade da criminalização do uso, de acordo com o artigo 28, que assegura o direito a intimidade e à vida privada;
• o racismo e criminalização dos pobres e movimentos sociais;
• a compreensão da presença das drogas na sociedade enquanto uma questão de saúde e não de segurança pública.

FINALIDADE

O evento visa ampliar o debate resgatando a história da proibição do consumo de drogas e buscando um panorama do uso ao longo das civilizações. Entender o que são as drogas e qual sua função nas sociedades. Fortalecer a ideia de que o uso de drogas deve ser tratado no âmbito da saúde e não da polícia.

IMPORTÂNCIA DO EVENTO

“Quem tá doente é o sistema social”*. Em meio às criticas da precariedade e privatização da saúde pública no Brasil, um dos principais desafios atuais é reverter o retrocesso que a Reforma Psiquiátrica vem sofrendo com as políticas contraditórias dos governos na atenção aos usuários de drogas. Por vezes, o poder público apoia a política de redução de danos, que não tem relação nenhuma com internação compulsória e tratamento em massa, e em outras apoia e financia manicômios disfarçados sob o nome de comunidades terapêuticas.

A experiência de profissionais da área da saúde mostra que o índice de recaídas é enorme na abstinência total forçada aos usuários de crack. É por isso que não adianta tratar a droga, há que se tratar a pessoa. Existe a ilusão de que se as pessoas pararem de usar crack elas deixarão de estar nas ruas e “oferecer perigo”. A política de saúde para drogas deve ter visão e ação amplas, considerando os aspectos sociais e culturais e não apenas o usuário como causador de problemas para a sociedade e que deve ser excluído, encarcerado e demonizado.

Por conta de todo o tabu e repressão, o acesso a informações reais sobre o tema é dificultado e permeado de preconceito, hipocrisia e estigmas. Com isso, os maiores danos acabam sendo causados exatamente pela perpetuação da ignorância sobre o tema.

*“Quem tá doente é o sistema social” foi uma das palavras de ordem do ato do dia 18 de maio deste ano, dia da Luta Antimanicomial.

OBJETIVO

Debater abertamente a questão das drogas em todos os seus âmbitos – do uso recreativo a guerra do tráfico, do uso medicinal ao têxtil, dos efeitos psicoativos e da relação entre corpo e natureza, para a partir disso estabelecer um entendimento mais amplo do tema e de que formas ele pode afetar nossas vidas.

Entender o histórico da planta Cannabis Sattiva e os motivos de sua proibição é fundamental para que a população possa opinar nesse debate que crescentemente vem ocupando as pautas do Congresso e invadindo conversas em todos os espaços públicos e políticos.

 

Fonte: Marcha da Maconha Santos