Nota pública do DCE UFF ao jornal ‘O Fluminense’ de Niterói

Os estudantes da Universidade Federal Fluminense encontram-se em greve desde o dia 21 de maio deste ano em apoio à greve nacional dos professores, por carreira docente e melhoria nas condições de trabalho, e pelo cumprimento, por parte da reitoria, dos compromissos firmados desde a ocupação de reitoria em setembro do ano passado que até hoje parece ser ignorada pelo magnífico.  Entre as principais reivindicações da greve estudantil estão as pautas que tangenciam a assistência estudantil: bolsas, moradia estudantil e bandejão, elementos essenciais para a permanência na universidade, principalmente dos estudantes mais pobres.

Com a implementação do REUNI- Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais em 2007, o número de estudantes dentro de nossa universidade aumentou vertiginosamente nos últimos 5 anos e cada vez mais presenciamos a escassez proporcional de nossos recursos para assistência e permanência estudantil e isso fez com que, cada vez mais, tivéssemos que nos mobilizar e organizar atos para pressionar o reitor a, ao menos, nos receber em audiência pública para que expuséssemos as demandas discentes. Neste sentido, o movimento estudantil da UFF realizou um “colaço” de cartazes e piquete no dia 04 de setembro, na reitoria da universidade, questionando as promessas não cumpridas do reitor e também pedindo que o reitor volte a negociar com os estudantes as pautas acordadas.

Em momento nenhum cogitou-se que a “volta às aulas” fosse uma das bandeiras políticas do movimento pelo claro motivo de que, enquanto movimento de estudantes em greve (inclusive), entendemos que a paralisação é um instrumento de luta em defesa da educação pública e de qualidade, não só legítima como necessária no atual cenário de contrarreformas que presenciamos na educação. Não à toa recorremos à essa mesma metodologia de luta para nos organizarmos e pressionarmos a reitoria a olhar para as deficiências pela qual passamos, hoje, dentro da universidade.

O jornal niteroiense “O Fluminense”, impulsionado por motivações políticas comum à maioria dos jornais/empresa que estão em circulação no Brasil hoje, de distorcer a realidade em suas notícias conforme lhe for mais conveniente, estampou em seu site um notícia cobrindo o ato dos estudantes com o seguinte título: “Universitários fazem protesto por volta às aulas na UFF” em seu site www.jornal.ofluminense.com.br.

(Link para a matéria: http://migre.me/aCf7V)

Desde o início dessa greve, a maioria dos jornais/empresa de nosso país tem mantido uma postura política claramente contrária à greve. Desde a invisibilidade que tentam dar ao movimento até a supervalorização de fatos que podem representar um revés ao movimento são postura comuns a esses meios de comunicação. Uma vez que o principal interesse desses jornais/empresa é conseguir manter suas margens de lucro, atender seus interesses políticos individuais e não realizar uma comunicação socialmente comprometida que possa representar os genuínos interesses do povo, acabamos por nos deparar com infelizes notícias que faltam com a verdade e que estão politicamente comprometidas com setores políticos da cidade que, definitivamente, não são os estudantes nem o conjunto da sociedade niteroiense que almeja ter uma UFF com qualidade e assistência estudantil para seus alunos.

Como no Brasil 90% de toda sua comunicação está indiretamente oligopolizada sob o controle de apenas 7 famílias e 2 igrejas e sem nenhum tipo de regulamentação que possa permitir à sociedade fiscalizar os veículos de comunicação de cometer arbitrariedades como essa, a única coisa que nos resta, enquanto estudantes, é publicar essa nota pública para o conjunto da sociedade denunciando os reais interesses dos jornais/empresa de nossa cidade e principalmente atentando a população de Niterói para que esteja atenta à veracidade das informações noticiadas pelos mesmos.

Em defesa da democratização da comunicação,

Diretório Central dos Estudantes da UFF