CULTURA VERDE ENTREVISTA – Álvaro Lobo, candidato antiproibicionista de Juiz de Fora/MG

1. Álvaro, como você entrou na política? Hoje, você está inserido em que espaços políticos e quais seus projetos para um possível mandato de vereador?

R: Entrei na politica apos voltar ao Brasil, estive por mais de 15 anos fora ,Arábia Saudita (5 anos), Estados Unidos (2 anos), Europa (Itália principalmente). Ao me fixar novamente aqui e constatar que todo o papo que batiamos , na nossa adolescência, sobre a legalização das drogas, pois já pensavamos naquela época que se não se legalizasse iriamos viver num clima de “Chicago” da época da lei seca Norte Americana. Guerra de gangues, corrupção, violência, etc. Vendo que isso tinha se tornado realidade aqui não tinha outra alternativa a não ser  arregaçar as mangas e ir à luta…

Organizo com outros a Marcha da Maconha em Juiz de Fora há varios anos, participo de movimentos afins, sou artista plástico, fui de varios partidos e finalmente estou e estarei no PSOL – Partido Socialismo e Liberdade. Quanto a projetos como vereador apoiarei a causa naturalmente,e starei controlando as obras e todo funcionamento da prefeitura: hospitais, escolas, transporte, novas soluções , empregos com remuneração digna, desenvolvimento com qualidade, etc. Tem o programa de governo de nossa coligação PSOL,PSTU com a qual concordo em grande parte e tenho também novas propostas…

2. Como você acredita que deva ser a relação de um mandato com os movimentos sociais?

R: Deve ser de contribuição e lutas por melhoria de toda sociedade. Devemos  tomar cuidado, entretanto, para não virar trocas de interesses. É preciso escutar, discernir e apoiar os quais se acredite.

3. Comenta um pouco sobre a relação da Reforma do Código Penal com as leis proibicionistas no país e o que você acha que muda com isso.

R: A reforma que se propõe quanto à legalização do porte de algumas drogas, não concordo. Servirá para salvar a cara de alguns poucos privilegiados e a massa continuará oprimida, perseguida e violentada. A corrupção continuará a esgarçar todo o tecido social, policial, judiciário etc. Legalização geral é a unica resposta séria.

4. Você acredita que exista relação entre a política proibicionista das drogas e a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais?

R: Algo que tenho refletido é que enquanto se mantiver essa luta, guerra às drogas, se mantém o povo oprimido, comprimido, sobrando pouco espaço para as revindicações. Se mantém uma pressão que aliena a maioria e impede de haver uma busca por ideias e ideais maiores… se torna muito fácil para estes poderes sujos jogar tudo no estigma do tráfico e assim justificarem toda sua arbitrariedade e produzirem toda sorte de corrupção.

5. Como se dá a relação entre a pauta antiproibicionista com o conjunto do seu partido?

R: O PSOL tem se mostrado aberto e participante nessa questão, ao menos aqui em Juiz de Fora tem sido assim. Penso também que temos que incrementar mais a participação e os debates propondo soluções.

6. Recentemente foi lançada a FNDDH – Frente Nacional Drogas e Direitos Humanos, você acha que é uma importante iniciativa?

R: Estive vendo a respeito, compartilho desses projetos e dessas ideias. Tenho algumas dúvidas como a não inclusão das comunidades terapeuticas no serviço do SUS, será por serem elas em sua maioria ligadas a alguma religião?

7. Para finalizar, como você lê a importância das candidaturas antiproibicionistas nessas eleições?

R: Acho o maior barato, vejo como hoje começam a aparecer pessoas dispostas, com responsabilidade de pôr a cara e dizerem a que vem. Espero que não vejamos daqui a pouco simples oportunistas neste barco… é perigoso no sentido de algum cair no exagero,”oba oba”, mas é a maior abertura me sinto gratificado de ter sido um dos primeiros candidatos a ter claramente abordado o tema da legalização com a folha da maconha estampada e o lema “LEGALIZE SEM MEDO” isso feito sem ”oba oba” com dizeres sérios responsáveis e consciente, ao menos tento que seja assim… isso foi 2002 para deputado federal… essa luta da legalização estamos fazendo desde os anos 70, ditadura militar, substituída pela guerra as drogas, é o maior barato ver que essas hipocrizias começam a cair e a legalização com todas as suas implicações ganhar volume… qualquer coisa ”estamos aí”. Vamos sim continuar …valeu…espero que possa ter sido útil o conjunto de minhas respostas.