CULTURA VERDE ENTREVISTA – André Barros, advogado da Marcha da Maconha e candidato do Rio de Janeiro/RJ

André Barros é advogado da Marcha da Maconha e candidato a vereador pelo PT no Rio de Janeiro/RJ com o número 13.420.

1. André, como você entrou na política? Hoje, você está inserido em que espaços políticos e quais seus projetos para um possível mandato de vereador?

Quando nasci em 1966, meu pai estava sendo cassado pela terceira vez na ditadura militar, foi proibido de ser jornalista, presidente do CACO – Centro Acadêmico Cândido de Oliveira da Faculdade de DIreito da UFRJ e candidato a deputado estadual. Em 1969, minha tia Verinha, irmã da minha mãe, fez o levantamento do sequestro do embaixador americano comigo quando eu tinha 3 anos de idade. Foi a única mulher a participar da ação armada do sequestro. Barbaramente tortura, saiu de cadeira de rodas e sua foto foi a denúncia contra a tortura no Brasil. Minha tia foi banida do Brasil e tivemos de sair do país. Voltei com 8 anos de idade, sabia de tudo, mas fui treinado para não dizer nada em qualquer lugar, pois isso poderia ser a prisão e a morte de familiares. Cresci na luta pela anistia, democracia, na resistência contra a ditadura. Fui tudo na Comissão de Direitos Humanos da OAB, delegado, membro, presidente e conselheiro, sempre na luta contra a tortura e os abusos de autoridade. Apoiei, como advogado e militante, a ocupação de prédios públicos abandonados e de terras pelo MST, ajudei no levantamentos de desaparecidos na ditadura, enfrentei abusos de autoridade e defendi vítimas do sistema penal. Estou há muito tempo na luta pelo bonde aberto, histórico e popular de Santa Teresa e na luta pela legalização da maconha. Como vereador, apenas terei muito mais força para continuar nas diversas lutas da cidade que sempre atuei ao lado dos pobres, contra toda essa bárbara injusta distribuição de renda de nossa raiz monarquista escravocrata. Meu projeto com mais repercussão é a legalização da maconha, que não pode ser realizado na Câmara dos Vereadores. Mas vamos fazer da casa um centro de debates sobre a legalização da maconha, pois inclusive existe uma Comissão Permanente de Drogas que faz apenas o discurso reacionário e ainda tentou impedir a saída do nosso bloco Planta na Mente. Toda a minha atuação será voltada para o apoio às políticas sociais do governo federal de erradicação da miséria, saneamento básico para todos e a defesa das garantias individuais à intimidade, à vida privada e ao domicílio. Vou também defender o sucesso dos grande eventos mundiais em nossa cidade, contra o seu uso para justificar a remoção e o choque de ordem dos pobres.

2. Como você acredita que deva ser a relação de um mandato com os movimentos sociais?

Só existe relação quando o parlamentar já está envolvido nessas lutas da cidade, não adianta chegar depois, já que não existe relação e potência. Por exemplo, sou da Marcha da Maconha e, eleito, vou com o movimento potencializar a luta pela legalização da maconha no Brasil.

3. Comenta um pouco sobre a relação da Reforma do Código Penal com as leis proibicionistas no país e o que você acha que muda com isso.

Acho que vai piorar, porque o direito penal virou a solução para todos os problemas e o discurso de que tudo se resolve com a prisão. A reforma vai aumentar o número de condutas criminalizadas. Temos de descriminalizar 90% das condutas e implementar a pena da perda dos bens, pois a privativa de liberdade é só para os pobres. Isso não vai mudar, pois a justiça é de solidariedade de classes. Temos de descriminalizar, pois a criminalização é só para os pobres, a cadeia foi criada para punir, disciplinar e controlar os pobres.

4. Você acredita que exista relação entre a política proibicionista das drogas e a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais?

As drogas e todo o sistema penal são apenas para prender, torturar e matar os pobres e reprimir os movimentos sociais. Os fatos julgados, por exemplo, são construídos na fase policial e nessa fase o pobre não tem advogado nem Defensor Público, pois só existe defensor na justiça, não existe defensor na polícia. Assim o pobre é condenado apenas com a palavra de policiais militares, que repetem o que foi redigido pelo policial civil no flagrante lavrado sem defensor na delegacia.

5. Como se dá a relação entre a pauta antiproibicionista com o conjunto do seu partido?

É muito boa, no Rio de Janeiro o único parlamentar que vai à Marcha da Maconha é o Carlos Minc do PT. Em São Paulo, sempre vi apenas a Soninha do PPS e o Paulo Teixeira do PT , agora o Plínio do PSOL apareceu. O Paulo Teixeira do meu partido sempre compareceu às Marchas quando eram no Ibirapuera e a barra era pesada. Agora, o Paulo Teixeira, que é o líder do PT na Câmara dos Deputados, vai apresentar o projeto do VIVA RIO, que está sendo divulgado pela TV. No Partido dos Trabalhadores não recebo qualquer patrulha pela defesa da legalização da maconha. E tenho certeza que se for eleito, terei muita força nesse debate num partido com quase 100 parlamentares no Congresso Nacional. O Rio foi o primeiro lugar a penalizar a maconha no mundo em 1830 e vou mostrar para a cidade e o país que temos uma dívida dessa herança racista escravocrata da criminalização da maconha.

6. Recentemente foi lançada a FNDDH – Frente Nacional Drogas e Direitos Humanos, você acha que é uma importante iniciativa?

Todas essas iniciativas são importantes, mas as grande conquistas políticas acontecem na rua. Por isso acredito mesmo na Marcha da Maconha em diversas cidades e multidões nas grandes capitais. Tanto que esse movimento é um dos mais reprimidos no Brasil, mesmo garantido pelo Supremo Tribunal Federal. A maconha será descriminalizada na rua.

7.Para finalizar, como você lê a importância das candidaturas antiproibicionistas nessas eleições?

Costumo dizer que os banqueiros, latifundiários, donos de empresas de ônibus, proibicionistas e todos dos aparelhos repressivos gostam de política e elegem seus parlamentares. Temos de gostar de política também, até porque não existe vida sem política, e fazer a nossa bancada para demonstrar maturidade e que não somos ingênuos.