Greve Nacional da Educação – Balanço e perspectivas (CLGE UFF)

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Texto corrido:

Depois de quatro meses em greve estamos de volta à universidade. Com o avanço do Programa de Reestruturação das Universidades (REUNI), implementado em 2007, que aumentou o número de estudantes sem aumentar de maneira equivalente o número de professores, técnicos, salas de aula e laboratórios, o cenário de precarização da universidade se agravou e acabou resultando na maior greve da história da educação. Mais do que melhores salários, os professores exigiam um plano de carreira e também condições de trabalho para além da graduação, permitindo assim que fizessem pesquisa e extensão, levando nossa universidade de volta ao nível de excelência que vem perdendo nos últimos 5 anos.

E nós estudantes também sofremos com estado que a nossa universidade chegou. As enormes filas do bandejão, o atraso de anos na construção da moradia estudantil, estudantes em conteiner, cursos funcionando sem sala de aula, prédios atrasados, bolsas insuficientes e dificuldade de assistência estudantil para congressos são apenas alguns dos problemas pelo qual não apenas @s estudantes da UFF passam. Sendo assim, também deflagramos greve em todo o Brasil pensando nossas reivindicações diante da greve dos professores, para exigir assim uma política de assistência e permanência estudantil que nos garantisse melhores condições de estudo.

Comando Nacional de Greve dos Estudantes

O Comando Nacional de Greve Estudantil (CNGE), com representantes de mais de trinta Instituições Federais de Ensino em greve, inclusive da UFF, teve o papel de discutir em suas reuniões os problemas de cada universidade e propor uma solução unificada e nacional a ela. Desse modo, as principais reivindicações se construíam em cima da falta de assistência estudantil, e por isso a exigência pelo aumento para R$ 2 Bilhões do Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) se tornou a principal bandeira do nosso movimento, além de que se fosse destinado 10% do PIB para a educação pública e de forma imediata. Embora com limitações, conseguimos avançar com o CNGE que arrancou do governo federal o maior reajuste que o PNAES já teve em décadas, 35% de aumento.

UFF

Em nossa universidade, na assembleia que determinamos o início da greve tivemos 800 estudantes com a vontade de construir uma outra universidade. Não queremos hospitais universitários privatizados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), nem ter que usar um cartão do banco Santander para entrar no bandejão. Não queremos que os cursos de pós-graduação pagos continuem transformando a universidade em fonte de lucro para poucos quando deveria estar produzindo conhecimento de interesse para a nossa sociedade. Resgatamos a partir daí as nossas bandeiras da ocupação da reitoria e pudemos conhecer melhor a nossa universidade. Na onda do PNAES, fizemos um levantamento do orçamento da UFF destinado à assistência estudantil e conseguimos com isso apresentar uma proposta à reitoria de aumento de bolsas e auxílios (confira no site do DCE a proposta). Além disso, queremos acompanhar mais de perto de que forma o orçamento que chega para a UFF é distribuído, por isso vamos formar uma comissão já reconhecida pela reitoria em reunião de negociação da greve que fiscalize a Pró reitoria de Assuntos Estudantis (PROAES) e para onde é destinado a verba.

Avançar na mobilização

Nossa luta não acaba com o fim da greve. Muitas das reivindicações da ocupação da reitoria e desse movimento grevista não foram atendidas e por isso nossa organização é imprescindível para que os interesses dxs estudantes sejam alcançados.

Comando Local de Greve dos Estudantes – UFF