Fundação “privada” da UFF usa verba pública para premiar markenting empresarial

A reitoria e os gestores da Universidade Federal Fluminense possuem hoje uma ferramenta muito eficaz  na manutenção do processo de privatização do ensino público. Esse modelo que reforça a  formação flexível  para o mercado é também uma forma de aparente desvalorização do trabalho e do potencial tranformador da educação. O mercado que nos parece amplo e a primeira vista moderno e inofensivo é a expressão mais clara da privatização e das contradições crescentes nas universidade brasileiras. Não é  por acaso que atualmente  toda universidade pública no Brasil possui uma fundação de direito privado, uma maneira direta de atrair investimentos e recursos financeiros, reforçando assim a lógica da educação/mercadoria  imposta pelo neoliberalismo e sujeita às leis do mercado.

Na UFF essa política de privatização se materializa através da Fundação Euclides da Cunha (FEC) que para além de gerir e captar verba pública e privada  também serve como aparelho jurídico e institucional em poder da reitoria, dos institutos e departamentos conservadores. Todo esse processo de privatização somado a uma expansão do ensino sem qualidade e a falta de transparência na gestão desses recursos vem transformado a UFF em uma universidade antidemocrática, burocratizada, e sem nenhuma preocupação com o valor social do conhecimento produzido dentro da sua academia.

Em 2012 a FEC esta completando seus 15 anos de UFF, e um dos eventos da extensa agenda de festas e comemorações com dinheiro público foi o  Prêmio MBA Marketing Empresarial UFF” . Na intensão de fomentar o empreendedorismo e a inovação entre os estudantes de graduação  o evento premiou “jovens talentos” e também serviu  como divulgação do curso pago MBA em Marketing Empresarial ministrado nas dependencias da  faculdade de Administração da UFF. O jovem empreendedor premiado foi o estudante que apresentou o “Ice Green”, plano que prevê fabricação de sorvete a partir da soja.  O segundo lugar foi para a “Cafeteria Grão do Mestre”, um ambiente multidisciplinar que contempla café, leitura e shows, e o terceiro colocado apresentou um projeto chamado “Red Bull te dá asas nas Olimpíadas”, um projeto que vislumbra divulgar a marca da bebida por meio de um dirigível, com formato da lata de Red Bull, capaz de comportar cerca de 200 pessoas, durante os eventos olímpicos no Rio de Janeiro. Isso é a submissão, na prática, da produção de conhecimento, que deveria ser público e voltado para o social, à interesses de empresas ou outros organismos de financiamento privado.

O valor total desse curso é de R$ 7.680,00 e é ministrado por docentes da própria faculdade de administracao da Universidade.

Tivemos em 2010 um processo de enfrentamento muito forte com esses setores privatistas e através de um plebiscito universal 87% da comunidade acadêmica decidiu pelo fim dos cursos pagos. Entretanto Salles e seus aliados pró -cursos pagos passaram por cima dessa deliberação e continuaram abrindo cursos sem o menor constrangimento e a revelia do conjunto da universidade.

Que  tipo de democracia a reitoria pretende construir na UFF dessa maneira? Além dos cursos pagos sofremos diversos ataques e ofensivas do capital privado em nossa universidade, outro exemplo que chama muito a atenção é o  convênio institucional assinado pela UFF em parceria com o Banco Santander que prevê a utilização do cartão do banco para acesso à biblioteca, bandejão e também meia-entrada em estabelecimentos culturais além de  abrir agências nos  campi da UFF. O banco Santander e a Universidade Federal Fluminense estão caminhando juntos para o mesmo rumo da privatização, não só do ensino como de todos os outros serviços da universidade.

Outra faceta dessa política privatista em nossa universidade é a implementação da EBSERH – Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. Essa empresa visa iniciar um processo de gerência privada nos hospitais universitários do país, começa a trabalhar com a perspectiva de metas de caráter empresarial para a saúde e o que é mais grave, fere a autonomia na gestão do hospital que hoje sofre com a emergência fechada desde o ano de 2008 e falta de recursos suficientes para atender a sociedade niteroiense.

A cultura também não fica fora desse processo. Para termos acesso à festas, cinemas e qualquer outro evento cultural, o preço a se pagar é alto. Boates e as empresas do audiovisual como o Cinemark são realidades que não estão ao alcance dos estudantes mais necessitados. Proibir as festas e a ocupação cultural em um espaço que é público é atuar também na privatização do acesso à cultura.

Diante desse quadro adverso e de intensa privatização e precarização do ensino público não nos resta outra alternativa a não ser estarmos em unidade na luta para defendermos uma UFF gratuita, pública e de qualidade. É hora de colocarmos o divisionismo de lado e apontar para um síntese unitária e responsável em defesa da educação pública na Universidade Federal Fluminense.

Contribuição do Cultura Verde ao movimento estudantil da UFF