O discurso da medicalização na revista Veja

A Revista Veja que lançou sua primeira edição em 1968 já nasce ligada a ditadura militar brasileira e a grandes grupos econômicos, e parece que até hoje a revista se pauta por valores extremamente contraditórios. Gostaríamos de trazer um estudo de Fernanda Lunkes que concluiu seu doutorado na Universidade Federal Fluminense e dedicou seus estudos  revendo todas as reportagens e matérias da revista Veja sobre o tema da Medicalização e o uso abusivo de drogas legais.

  Fernanda Luzia Lunkes escreveu em sua tese de doutorado sobre “O discurso da medicalização na revista Veja” e analisou a formação discursiva de todas as notícias vinculadas entre os anos 1968 e 2010 sobre o tema. As reportagens estavam inseridas em vários editoriais como o de saúde, medicina, comportamento, vida moderna, especial e animais. Em sua análise Fernanda concluiu em sua pesquisa, dentre outros aspectos, que :

“A Veja direciona seus argumentos a favor da indústria farmacêutica e não produz marcas linguísticas de resistência a ela. Ao contrário, ao trazer termos relacionados ao contexto capitalista, como venda, mercado, consumo, ela torna o medicamento um produto a ser vendido a/consumido por qualquer um (até por cães, conforme matéria da Veja de 09/05/2007) e muitas vezes sem ser por motivos de doença e sim porque está “na moda”. Compreendo que a revista Veja, atende a demanda do capital nesse sentido e “educa” seu público ao consumo desenfreado de medicamentos, contribuindo para o cenário da medicalização.”

Para além da revista veja temos outros vários aparelhos de comunicação que sempre se direcionam pelo viés econômico e do lucro, estão ligados estritamente a interesses corporativos que prezam pela manutenção desses mesmos meios comunicacionais de massas nas mãos e sob controle de poucos grupos. A democratização da comunicação, ou seja a produção popular de conteúdos e TV’s locais, rádios comunitárias, e grandes jornais de interesse público sem interferência dos grandes oligopólios é muito importante  no combate a grande mídia que não cumpre a função social da comunicação.

Leia a tese na íntegra : http://migre.me/bwMDt