Plenária Sativa – RJ ; contribuições para o movimento estudantil

plenaria sativa3No dia 15 de janeiro de 2013, foi realizado no Instituto de Ciencias Humanas e Filosofia (ICHF) da UFF uma atividade preparatória para o espaço nacional da Plenaria Sativa que deverá ser organizado pela Oposicao de Esquerda da UNE, em paralelo ao CONEB. Com o objetivo de continuar o acumulo do debate iniciado no CNGE entre os coletivos e militantes independentes posicionados n a OE sobre a questão da legalização das drogas dentro do Movimento Estudantil e, também, a questão da reprodução da criminalização ao usuário dentro do próprio movimento

O grupo de estudantes ali reunidos vem , por meio deste, apresentar ao conjunto da militância de esquerda do Movimento Estudantil e, principalmente, aos militantes que se encontrarão na Plenaria Sativa, as sínteses e acúmulos oriundos do debate que foi chamado de “pré-Plenária Sativa UFF”.

Em primeiro lugar, é necessário fazer uma auto-critica enquanto movimento estudantil que, involuntariamente, acaba reproduzindo a proibição em seus espaços. É importante lembrar que as politicas proibicionistas de guerra às drogas e de internação compulsória defendidas pelo governo federal são hoje também sustentadas e legitimadas pelo silencio da direção majoritária da UNE sobre o tema.

O proibicionismo, infelizmente, ainda está muito arraigado na consciência do movimento, seja de forma clara e autoritária, ou mais velada, sob a forma de aceitar o uso de drogas na vida pessoal do militante, mas retroceder na pauta quando se trata da relação que muitos militantes tem entre o uso destas substancias e o pensar politica. Isso é um erro grave que deve ser percebido e corrigido dentro das próprias organizações por meio da autocritica e síntese dialética de suas posições.

Entendemos que a Plenaria Sativa tem potencial para ser o catalizador do debate antiproibicionista para suprir o déficit que o movimento apresenta em relação a este debate e seu trato com as drogas. Contudo, entendemos que a Plenaria Sativa deve ser mais ampla do que ela é hoje, se restringindo apenas ao espaço da Oposicao de Esquerda da UNE, e servir de ferramenta para abarcar todo o conjunto da militância do movimento estudantil para o debate e construção da pauta.

É imprescindível que esse campo de esquerda em torno da pauta, que hoje representa a Plenaria Sativa, se amplie cada vez mais e articule com o máximo de setores de esquerda possível dentro da juventude brasileira. Percebemos isso a partir de alguns fatores principais que dialogam entre si, fatores esses que, ao serem percebidos e levados em consideração, apontam para qual deve ser o norte politico deste espaço.

O primeiro fator é que parte da direita brasileira já abandonou a proibição e montou um projeto claro de legalização, figurado, hoje, principalmente pela imagem do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o Instituto Igarapé. Contudo, entendemos que esse projeto de legalização deve ser entendido como ligado a um projeto de sociedade o que, numa sociedade em constante luta de classes, significa, também um projeto com corte de classe. Esse projeto de legalização que muitas vezes parece estar posto, em nossa avaliação, continua por criminalizar a classe trabalhadora. O modelo burguês de coffee shops e transformação imediata das drogas em mercadorias já está muito bem estruturado e cada dia mais próximo de se concretizar.

Fica claro, então, que é de urgência máxima a construção e estruturação de um projeto de legalização das drogas classista e com alguma perspectiva revolucionária. Esse projeto, porém, só pode ser alcançado por uma construção coletiva dentro dos setores de esquerda do movimento antiproibicionista. E, aqui, percebe-se o principal objetivo posto para a Plenaria Sativa: articular a juventude, principal prejudicada pela proibição (principalmente quando se percebe que as vitimas da guerra as drogas são, em sua enorme maioria, jovens negros e pobres nascidos dentro da classe trabalhadora), para a construção e estruturação, por meio do debate sincero e da pratica conjunta, deste projeto classista de legalização.

 

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