E aí Aécio, vai legalizar a maconha no Brasil?

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NÃO, Aécio não vai legalizar a maconha no Brasil.

Após se enfrentarem nas eleições de 1994 e 1998, os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso voltarão a protagonizar a disputa pelo comando do país. Serão os padrinhos dos candidatos do PT, Dilma Rousseff, e do PSDB, Aécio Neves.

Resta saber se o mineiro e tucano Aécio Neves segue a linha política do ex-presidente FHC e avança no debate sobre a legalização da maconha ou se mantém a velha e conservadora tradição do PSDB de tratar a problemática das drogas e da pobreza apenas com repressão, mantendo assim a criminalização e a violência policial nas periferias das cidades brasileiras.

Em São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) enfrentou problemas em relação a essa questão, a guerra às drogas em 2012 explodiu em todo estado , policiais e facções do crime organizado em São Paulo se enfrentaram de maneira muito preocupante, chacinas nas periferias e ataques à batalhões e postos policiais foram constatados durante todo o ano passado, fazendo das ruas nas cidades paulistas verdadeiros palcos de guerra.

Em Minas Gerais o ex-governador Anastasia (PSDB), passou por uma grande rebelião de presos no estado. Os detentos, também de maneira organizada e articulada, denunciaram as opressões e a violência instituída pelo estado na penitenciária Nelson Hungria na região metropolitana de Belo Horizonte. Os índices de criminalidade nas regiões periféricas de Belo Horizonte, como em Contagem e Ribeirão das Neves, são indicativos que pelo menos deveriam ter preocupado o dirigente tucano.

Os efeitos nefastos da proibição das drogas também se expressaram de maneira relevante em vários outros estados do Brasil como em Santa Catarina, que sofreu com ondas de ataques de facções criminosas mesmo com a presença da força nacional nas ruas.

No estado do Rio de Janeiro o governo Sérgio Cabral (PMDB) investiu um orçamento bilionário em um política de “segurança pública” de repressão e policiamento das favelas cariocas – que vem se mostrado ineficaz até do próprio ponto de vista do governador, já que o tráfico de drogas continua existindo mesmo em comunidades onde já foram assentadas as UPP’s. O caso Amarildo, torturado e executado por policiais da UPP Rocinha, agrava ainda mais esse modelo de segurança pública defendida pelo ex-governador e sustentada por Pezão, atual dirigente do estado.

Sabemos que o processo eleitoral de 2014 não poderá se furtar da discussão sobre a legalização das drogas que hoje conta com 2 projetos para legalização da maconha na Câmara Federal e uma Ideia Legislativa no Senado. Esse debate, muito em voga com o crescimento da discussão entorno da maconha medicinal e a proliferação de movimentos sociais pró-legalização como a Marcha da Maconha que já se espalha por mais de 30 cidades no Brasil, partidos políticos e candidatos terão que se posicionar sobre o tema, e também mostrar claramente se pretendem discutir a questão da política de drogas de maneira pública.

Corrida presidencial 2014

Como era de se esperar, a base social conservadora do PSDB não permitiu que Aécio Neves siga as diretrizes políticas de FHC e defenda a legalização das drogas como parte da solução para o problema da violência relativa ao tráfico de drogas. Aécio até chegou a confessar ao jornal Folha de S.Paulo que experimentou um cigarro de maconha, mas assumiu a mesma linha do seu parceiro de partido: afirma que fumou mas não tragou.

Posicionado claramente contra a experiência de descriminalização da maconha, acha que o Brasil “não tem o que ganhar” com a legalização e é contrário inclusive à experiência uruguaia protagonizada por Pepe Mujica que conseguiu zerar o número de mortes relacionadas à droga.

Mesmo apadrinhado por FHC, que propõe um questionado modelo de legalização neoliberal para a maconha, Aécio resolveu assumir mesmo a postura de garantir seus votos e não tensionar sua base eleitoral conservadora para essa complexa discussão. Assim como suas rivais Dilma Roussef e Marina Silva, também vai reforçar o coro da proibição nessas eleições. A defesa da pauta polêmica e extremamente central para compreendermos o contexto de violência urbana pelo qual atravessamos, fica restrito mesmo aos pequenos partidos de esquerda com Luciana Genro (PSOL), Zé Maria (PSTU), Mauro Iasi (PCB) e Eduardo Jorge(PV).