Entrevistado pela Câmara Municipal, Renato Cinco fala sobre as políticas do seu mandato

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O que o fez entrar na política?

R: Participo da militância política desde a adolescência. Desconfio que tenha sido a junção de duas coisas. Acho que o fato de meus pais terem sido militantes certamente influenciou bastante minha formação. Também cresci numa época de grande movimentação política no país. Nasci em 1974. Acompanhei todo o processo de luta contra a ditadura militar e participei das passeatas da campanha das Diretas Já. Minha primeira campanha política foi em 1986, quando trabalhei na candidatura do Fernando Gabeira a governador do Estado, pelo PT.

Quais serão as bandeiras do seu mandato?

R: Trabalharemos com três eixos políticos. Um deles é um debate sobre a cidade e os direitos humanos, dando muita ênfase na discussão dos impactos para a população dos megaeventos na cidade. Vamos defender os direitos das pessoas que estão sendo atingidas pelas obras. O Complexo do Maracanã é um bom exemplo disso: onde a Copa do Mundo tem sido usada como pretexto para a derrubada de diversos prédios importantes.Outro eixo é quanto à juventude e educação. Nosso mandato é um mandato muito jovem. O debate sobre educação no Rio de Janeiro é fundamental, a gente não vai mudar o país sem transformar a educação. Parece que a gente precisa apostar na mobilização popular para obrigar os governos a investirem na área. Os anos passam e as notícias continuam sempre as mesmas.O terceiro eixo é sobre a política de drogas e saúde mental. Desde 2004 eu milito contra a atual política de drogas. Precisamos abandonar o modelo proibicionista para adotar um modelo baseado na regulamentação, na redução de danos, no tratamento para quem venha desenvolver dependência. Nós questionamos fortemente a política de internação compulsória de menores usuários de crack que ocorre no Rio de Janeiro. As pessoas precisam saber que existem uma série de diretrizes sobre saúde mental que a Prefeitura não cumpre. Deveriam existir 30 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) na cidade, hoje existem três. Desta forma, não há combate ao crack na internação compulsória, pois não há tratamento. Então é uma política de higienização, de limpeza das ruas disfarçada. A comissão de direitos humanos da ALERJ já publicou relatórios sobre as casas de recuperação do Rio, onde os jovens não recebem tratamento algum.

De que forma o senhor pretende trazer esta discussão para a Câmara?

R: Em primeiro lugar é preciso que todo mundo entenda que o debate sobre a legalização não cabe à Câmara Municipal, é um debate de âmbito federal. A gente vai focar nossa ação no debate. Focar na denúncia de que não temos uma rede de saúde mental adequada. Vamos apostar nesses debates, trazendo profissionais que trabalham na área da saúde mental, da assistência social, da segurança pública. Trazer especialistas para debater, colocar o contraditório, que não costuma ter muito espaço na mídia. Eu tenho muita confiança de que boa parte das pessoas que são contra uma nova política de drogas, contra as nossas posições, muitas vezes não tiveram a oportunidade de conhecer essas posições. São 100 anos de propaganda proibicionista. Tenho certeza que com essa oportunidade, vamos mudar muitos corações e mentes.

O senhor já tem algum projeto de lei neste início de Legislatura?

R: Planejamos fazer um requerimento de uma CPI para investigar a política municipal de drogas. Há denúncias de ilegalidades tanto sobre o processo formal para internação compulsória, quanto sobre o controle de verbas. Houve denúncias, em jornais de grande circulação, de que teria havido desvio de verbas da ONG responsável pelo acolhimento compulsório de menores. Isso, por si só, já justifica uma investigação do Parlamento. Queremos investigar também as responsabilidades sobre a não existência dessa rede de saúde mental no Rio. São regulamentações do SUS, regulamentações da saúde mental, que não são cumpridas pela Prefeitura. Estamos colhendo assinaturas de apoiamento para criação desta CPI.

Fonte: ASCOM – Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro

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