Movimento DCE Vivo, cultura e luta contra privatização da UFF

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O Movimento DCE Vivo há meses vem ocupando e revitalizando o espaço Fernando Santa Cruz em Niterói, com muita disposição e vontade de transformação conseguimos fazer o teatro MPB – 4 voltar a ter vida. Podemos ver semanalmente oficinas auto- organizadas de teatro , ensaio de bandas niteroienses, cineclubes, festas e reunião de estudantes e movimentos sociais acontecendo com frequência.

Conseguimos revitalizar também a salinha do primeiro andar, utilizada pela comissão eleitoral nas últimas eleições do Diretório Central dos Estudantes, hoje essa sala se encontra aberta para Ca’s, Da’s, estudantes e movimentos da cidade se organizarem e se reunirem. No segundo andar, limpamos a parte externa e ganhamos uma área aberta para a galera fumar sem incomodar ninguém nas salas e no corredor, esse espaço é aberto e recebe luz solar durante todo o dia, lá podemos germinar nossas ideias, sementes, hortaliças e praticar a agroecologia dentro do próprio prédio do DCE. O quinto andar, em tempos de proibições absurdas de festa nos campi, tem se tornado uma alternativa real para movimentos sociais e estudantes reivindicarem cultura gratuita e gerida autonomamente pela comunidade niteroiense e acadêmica da UFF, sem fins lucrativos e mercadológicos.

Os estudantes da UFF tem o maior prédio sob gestão estudantil da América Latina e por isso ocupamos e defendemos a reforma imediata e estrutural de TODO o prédio. Sabemos que nosso prédio cumpre um papel importante para a cidade de Niterói, abriga um pré-vestibular comunitário e também a biblioteca do campus Valonguinho. É urgente e muito nítida a necessidade da reforma ampla e estrutural do espaço, segundo o arquiteto da UFF e responsável pelo projeto de revitalização, o prédio oferece riscos para as pessoas que circulam diariamente por ele.

O Cine-Arte, localizado no prédio da reitoria, esteja recebendo verbas mas nada de sair a restauração. Exemplo semelhante são as obras infindas do centro Petrobrás UFF de Cinema, localizado na entrada do Campus Gragoatá, outra grande obra consome dinheiro público há anos e sem previsão de inauguração para a comunidade. Sabemos, no entanto, que estão querendo entregar mais esse centro de cultura para iniciativa privada, favorecendo assim a mercantilização da cultura na cidade.

A “novela” Cine Icaraí, cinema comprado pela UFF no ano passado, já se iniciou com um final infeliz, pois, mesmo antes de iniciadas as obras de revitalização, as mesmas já foram entregues a especulação imobiliária e a livre iniciativa de empresários do ramo da cultura em Niterói. Queremos o mesmo empenho e vontade politica do reitor e dos representantes do governo federal para a aprovação imediata das verbas necessárias para a reforma estrutural do prédio do DCE UFF. Nosso prédio que possui o segundo maior teatro da cidade de Niterói e que serviu de resistência cultural e política em tempos de ditadura militar e redemocratização do país, não pode ser negligenciado dessa maneira pela universidade e pelo poder público niteroiense.

Desde já, rechaçamos qualquer iniciativa de privatização e mercantilização do DCE Livre Fernando Santa Cruz para fins privados ou mercadológicos. O projeto arquitetônico de revitalização apresentado pela Superintendência de Arquitetura e Engenharia da UFF contemplam a demanda e a autonomia do movimento estudantil para manutenção do espaço sob 100% gestão estudantil.

Ocupamos a reitoria, e conquistamos também o próximo bandejão da UFF em Niterói, o bandejão do Valonguinho. Defendemos e lutamos para que o novo bandejão do Valongo, conquistado na luta e na ocupação, se materialize logo em nossa vida e seja construído no prédio dos estudantes da UFF, Fernando Santa Cruz. Não aceitaremos expansão sem qualidade, basta de filas no bandejão no campus Gragoatá e também Praia Vermelha, pelo início imediato das obras do bandejão do Valonguinho.

Esse projeto de expansão (Reuni) que amplia nossas universidades diminuindo sua qualidade é o mesmo projeto de governo que investe dinheiro público na educação privada através de programas de isenção fiscal (ProUni) e financiamento privado (Fies) para as empresas que organizam o mercado da educação no Brasil. Democratiza-se a educação de baixa qualidade e se oferece educação de qualidade apenas nas universidades privadas, fenômeno que já ocorreu no ensino básico e fundamental do Brasil. Nossa universidade passa por momentos de intensificação dessas políticas de privatização, materializada em parcerias com bancos privados (Santander), catracas em institutos, bibliotecas e bandejões e mais do que nunca precisamos ter um DCE vivo, fortemente ocupado culturalmente por estudantes conscientes da importância da luta política que estão travando para que a educação não deixe de ser um direito e se torne mercadoria.

Fomos, somos e seremos livres para lutar por um DCE Vivo! Fazemos coro com a resistência dos estudantes que se opõem ao projeto de educação mercantil que vem sendo implementado pelo governo nas universidades de todo o país. Estamos na defesa irrestrita da cultura verde, negra, amarela, vermelha e também feminista, do respeito às orientações sexuais diversas e também queremos fazer história apoiando a turma do samba que vem dando exemplo de luta e resistência na ocupação cultural da UFF. Boicotamos o ENADE e barramos as vias Orla e 100, defendemos uma UFF de qualidade, popular e 100% pública. Lutamos, vivemos, sonhamos, conquistamos e podemos mais.

Estará sempre vivo quem morre lutando, é hora de fazermos esse DCE voltar a honrar o passado de luta de Fernando Santa Cruz e voltar à vida nas lutas sociais!