Neurocirurgião pede desculpas publicamente por desconsiderar caráter medicinal da maconha

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Segundo o neurocirurgião Sanjay Gupta, apenas 6% da pesquisa científica nos EUA investiga possíveis vantagens da droga

O reconhecido neurocirurgião americano e principal correspondente médico da CNN, Sanjay Gupta, voltou atrás em relação à maconha. Em artigo publicado na última sexta-feira, ele pede desculpas por ter desconsiderado o valor medicinal da planta.

– Ela não apresenta grande potencial de abuso, e há aplicações médicas muito legítimas. Na verdade, há casos em que a marijuana é a única coisa que funciona. Temos sido terrivelmente enganados por 70 anos nos Estados Unidos, e peço perdão por ter feito parte disso – escreve Gupta.

O médico mudou de ideia durante as gravações do documentário Weed (“Erva”, em tradução literal), que o permitiram descobrir que apenas 6% da pesquisa científica investigava potenciais benefícios da droga, em vez de seus aspectos nocivos.

Parte da explicação para esse estado de coisas é a classificação da cannabis como substância “Tarja 1” nos Estados Unidos, o que significa que ela está entre as drogas mais perigosas e viciantes, além de ser ilegal. Isso dificulta o acesso de cientistas à droga, já que são requeridas permissões de diversas agências federais em geral pouco propensas a liberar o estudo. A recomendação de incluir a droga nessa categoria data de 1970 e se sustenta na “falta de conhecimento em relação aos efeitos” da substância.

– Viajei o mundo inteiro entrevistando líderes médicos, especialistas, cultivadores e pacientes. Conversei tranquilamente com eles e fiz perguntas duras. O que descobri foi assombroso – afirma o médico, citando a necessidade de avaliar artigos de laboratórios pequenos e de países diferentes.

Como exemplo das supostas benfeitorias da maconha, Gupta cita o caso de Charlotte Figi, menina que, aos 3 anos de idade, sofria com cerca de 300 convulsões por semana, mesmo submetida a uma série de medicações. Segundo o neurocirugião, a planta “acalmou o cérebro dela, limitando as convulsões a dois ou três por mês”.

– Estive com outros pacientes como Charlotte, passei tempo com eles e descobri que é irresponsável não prover o melhor cuidado que podemos como comunidade médica, um cuidado que poderia envolver a marijuana.

Sobre a possibilidade de a maconha servir de “porta de entrada” para drogas mais pesadas, o médico aponta um estudo de 1944, realizado pela New York Academy of Science, que concluiu que a droga não apresentava riscos signiticativos de tornar o usuário um dependente químico nem de conduzi-lo ao consumo de morfina, heroína ou cocaína. Hoje, afirma Gupta, é sabido que o consumo da planta causa dependência em cerca de um entre cada 10 usuários adultos. O índice aumenta para 20% no caso da cocaína, 25% para a heroína e 30% para o tabaco.

– O mais assustador para mim é que a cada 19 minutos alguém morre nos Estados por overdose com uma droga receitada, a maior parte acidentalmente. A cada 19 minutos. É uma estatística horripilante. Até onde estudei, não consegui encontrar um caso documentado de morte por overdose de marijuana – argumenta.

Fonte: Zero Hora

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