Um arco-íris de cannabis

arcoirisEm sua coluna na Folha de S. Paulo desta semana (“Família brasileira”, 03/02/14), Gregório Duvivier faz a feliz brincadeira de criar um universo em que 20 anos após o beijo gay de Felix e Niko em amor a vida, se fumaria pela primeira vez um baseado de maconha em uma novela de horário nobre.

Feliz brincadeira pois, o chamado proibicionismo ataca de todos os lados – tanto a proibição das drogas, como a homofobia, são armas imprescindíveis para os conservadores controlarem e doutrinarem a vida cotidiana. Sendo assim, aqueles que lutam pela legalização das drogas, e aqueles que lutam pelo fim da homofobia, se esbarram em muitas trincheiras de luta (e muitas vezes nem percebem).

Todos os segmentos cristãos (católicos ou evangélicos) que possuem maioria na política institucional (com o devido apoio e leniência do governo federal vigente) consideram usuários e homossexuais como aberrações da natureza. Estes mesmos segmentos, cotidianamente são associados a uma “ vida vadia, promiscua e sem futuro”. Ambos até são proibidos de doarem sangue sob a mesma justificativa – o tenebroso grupo de risco.

Hoje, ao ler o noticiário, e finalmente chegando ao motivo que me fez escrever este texto, vi que o deputado Jean Willys (PSOL-RJ), reconhecido deputado na luta contra a homofobia, irá propor um Projeto de Lei para legalizar a Maconha no Brasil. Como um bom maconheiro que sou, logo quis estourar um confete para comemorar (se é que me entende). Antes de faze-lo, gostaria de propor uma reflexão a todos os gauches nessa vida. Em um determinado momento da História, nós, companheiros de esquerda de todo o mundo, já cometemos o erro histórico de ignorar a homofobia. Já cometemos o grosseiro erro (talvez um dos maiores) de perseguir, criminalizar e até executar homossexuais sob um pretexto de desvio capitalista.

Qualquer grupo, coletivo, ou organização política que se identifica hoje com o campo da esquerda e não luta pelo fim da homofobia, não pode ser considerado sério, ou até mesmo pode lhe ser atribuído a pecha de reacionário. Amigos, ou melhor, camaradas, precisamos recobrar tal humildade e reconhecer novamente o erro: deixamos de reconhecer a luta pela legalização das drogas sob um pretenso discurso de “ uma bandeira burguesa para mulecada rica ficar fumando maconha”.

Chegou a hora de virar esse tabuleiro, pois a História não nos perdoará, e pior, irá nos cobrar. Não podemos continuar ignorando que a proibição das drogas tem intima relação com o encarceramento em massa, com o genocídio da população jovem e negra nas periferias brasileiras, ou até mesmo que durante toda a História do nosso país proibição e racismo estão intimamente conectados.

Chegou a hora de ecoarmos o grito: que contradição! maconha é crime, homofobia não!

Guilherme Prescott Monaco é militante da Marcha da Maconha São Paulo

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