O Maio Verde começa na próxima semana, todxs à Marcha da Maconha São Paulo!

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Em 2010, fui pela primeira vez à Marcha da Maconha de São Paulo, que aconteceu no Parque Ibirapuera. Fui com o Renato Cinco, atual vereador do Rio de Janeiro. Nos anos anteriores, o evento era sempre proibido às vésperas por decisões judiciais e compareciam poucos históricos ativistas. Mas naquele ano o movimento estava maior. Éramos em torno de 500 pessoas bem aguerridas, dispostas a enfrentar a repressão. Tivemos de negociar com a polícia, que percebeu que a manifestação iria sair de qualquer jeito, e acordamos que não seria feita qualquer alusão à maconha: sairíamos em defesa da liberdade de expressão.

Numa situação tragicômica, apareceu, atrasado, um ativista bem conhecido da galera, com um cartaz dizendo que não fumava nem plantava, mas era a favor da legalização da maconha. Como escreveu “maconha”, a palavra proibida, foi preso imediatamente. A Marcha só terminou e se dispersou quando esse ativista foi liberado.

Em 2011, fui novamente à Marcha de São Paulo, que já tinha sido marcada no MASP, em plena Avenida Paulista, devido a seu crescimento do ano anterior. O Ibirapuera seria pequeno para o movimento que caminhava para o centro financeiro do país, concentrando-se no maravilhoso Museu de Arte de São Paulo. Novamente proibida, e com grande número de policiais nos cercando, éramos quase mil concentrados.

Quando a polícia deu bobeira, a galera tomou a Paulista e partiu. Inicialmente, a polícia ficou só olhando. Mas logo se posicionou e atacou a Marcha da Maconha por trás com muitas bombas de efeito moral, de gás lacrimogênio, atirando balas de borracha e de grosso calibre para todos os lados. Pessoas de todas as idades, até crianças e idosos, foram vítimas daquela brutalidade toda.

William do Growroom pintou, em branco num pano preto, uma faixa com os seguintes dizeres: “STF JULGUE A NOSSA CAUSA ADPF 187 – ADI 4274”. Dei essa sugestão em razão da representação que havíamos protocolado em 2009, ano em que quase todas as Marchas da Maconha foram proibidas no Brasil. Baseados no artigo 5º, inciso XVI, da Constituição Federal, denunciamos promotores e juízes por violação a diversas garantias da Carta Política, a Constituição. Impulsionada por nossa representação, a Procuradoria Geral da República moveu a Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental 187 e a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4274.

Ambas as ações estavam paradas no STF. Quando vi a polícia militar se posicionando para atacar a Marcha por trás, pensei com meus botões que eles não fariam aquilo. Ledo engano, a PM paulista jogou-se com muita violência contra nós. Na hora, pensei que, com toda a violência daquele momento, a Marcha Maconha acabaria por ser legalizada. E foi o que aconteceu. Em torno de 30 dias depois, a Suprema Corte julgou a nosso favor por unanimidade a ADPF 187. Estava finalmente legalizada a Marcha da Maconha em todo o país!

Participando dela desde 2010, sou fã dos ativistas de Marcha da Maconha de São Paulo, por todo histórico de lutas e resistência e, mesmo sendo no dia do meu aniversário, vou comparecer ao MASP em 26 de abril da 2014.

ANDRÉ BARROS, advogado da Marcha da Maconha, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ e do Instituto dos Advogados Brasileiros

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