#OcupaUFF – Documentário relembra vitoriosa ocupação de reitoria organizada pelos estudantes da UFF

Em 2011 o movimento estudantil da UFF ocupou sua reitoria com uma extensa pauta de demandas que o reitor por várias vezes se recusou a ouvir. Era 5 de setembro daquele ano e o Conselho Universitário mais uma vez estava lotado. Mais uma vez Roberto Salles tinha sumido. Mais uma vez Sidney Mello, ex-reitor na época e atual reitor eleito, ordenava a retirada dos conselheiros da reitoria e encerrava o conselho sob as vaias da comunidade acadêmica. Esgotadas as tentativas de diálogo, o movimento estudantil da UFF ocupou a reitoria com suas pautas (que podem ser conferidas na íntegra aqui) e foram longos 7 dias de muita luta até que o reitor finalmente atendesse os estudantes.

Dentre as principais vitórias, a ocupação da UFF fez a reitoria fazer valer sua autonomia e não possibilitou a construção das vias Orla e 100. Os sete dias de estudantes ocupados sem água e sem luz na reitoria garantiu que dezena de moradores da rua 100 (entre o campus Gragoatá e a antiga estação de barcas, onde hoje funciona uma boate) fossem removidos. Várias famílias e trabalhadores dali ainda hoje tem grande apreço pelxs “meninxs da UFF” desde esse importante processo de luta.

Além dessa, considerada a principal, muitas outras importantes demandas foram conquistadas em papel. O reitor se viu obrigado a assinar este documento consensualizando com  diversas reivindicações estudantis. Entre elas, a implementação do plebiscito oficial que garante o fim dos cursos de pós-graduação pagos, a construção de moradias estudantis em todos os campi do interior, aceleração das obras do REUNI, contra o Projeto de Lei que hoje se tornou a proposta de EBSERH para o Hospital Universitário, ônibus de integração entre os campi (o que hoje é o BusUFF), opção vegetariana no bandejão e diversas outras pautas de centros acadêmicos ou institutos específicos.

Hoje o movimento estudantil da UFF não consegue demonstrar o mesmo poder de mobilização que já teve outrora. Embora tenha organizado alguns debates e pautado importantes temas como a memória, as cotas e alguns outros, as campanhas não conseguem ganhar volume na universidade, as assembleias são poucas e praticamente não se vê mais o movimento estudantil da UFF em fortes e mobilizados processos de luta. Um dos elementos que pode ajudar a responder esse cenário é o suposto alinhamento de projeto entre a atual gestão do DCE com o governo federal e também a reitoria, o que comprometeria a autonomia da entidade. É sabido que diversos diretores do atual DCE fizeram campanha pública para o reitor eleito Sidney Mello.

Para relembrar esses outros tempos de movimento estudantil na UFF, esse pequeno documentário ‘Ocupação de Reitoria da UFF – Maria Cremilda e Manuel Gutiérrez’, que entrou para a história da universidade como o #OcupaUFF, mostra como foi todo  o processo. Desde as grande mobilizações nos conselhos universitários em busca do reitor, até os últimos dias de ocupação com o CHOQUE na porta e helicópteros da Polícia Militar e da imprensa sobrevoando a reitoria. Um importante processo na vida de toda uma geração de estudantes da UFF que aprenderam, a partir da auto-organização e da ação direta em busca da universidade de seus sonhos, que a UFF é pra lutar.

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