Só o CBD? – por Sandro Rodrigues

cbd

Com o canabidiol (CBD) saindo da lista de substâncias proscritas hoje (14/01/2015), quero aproveitar e prestar minha solidariedade às pessoas beneficiadas por esta mudança. Muitos pais de crianças com epilepsia refratária comemoram e com muita razão. É de fato uma vitória para essas crianças.

Mas é preciso também sublinhar de saída que esta vitória tem efeito quase nulo no que diz respeito aos repetidos danos do proibicionismo. Ainda falta muita ética nos meios médico e farmacêutico (não me refiro a tod@s @s profissionais do meio, mas a uma avassaladora maioria, comandada por uma lógica perversa de lucro que permeia a indústria farmacêutica) para que se possa comemorar de verdade.

Afinal, é preciso legalizar o cultivo caseiro e regulamentar a extração de quaisquer componentes da maconha para fins terapêuticos, espirituais, culinários, industriais, de pesquisa científica, recreativa (termo cujo uso majoritário tenta disfarçar a seriedade envolvida no direito aos usos do próprio corpo), artística, etc. É preciso lutar para garantir o pleno exercício da autonomia de usuários, produtores e pesquisadores. Caso contrário, o CBD de hoje periga vir a se tornar a Ritalina de amanhã, em paralelo às pencas de pessoas que continuarão a ser presas ou a arriscar a própria vida nos perigos inerentes à ilegalidade arbitrária de uma fatia do mercado psicofarmacológico.

Proibicionismo é hipocrisia de instâncias políticas, empresariais, médicas, jurídicas e policiais que lucram de modo nefasto em cima deste absurdo que se performatiza diariamente nos banhos de sangue que vendem tantos jornais e revistas.

Pelo fim desta estúpida guerra às drogas, temos que nos inspirar nas iniciativas mais progressistas a respeito. E se alguns maconheiros estiverem com preguiça de lutar, que então peçam apoio àqueles amigos cocainômanos, cheios de disposição (rsrs). Até porque, brincadeiras à parte, é preciso mesmo parar com as diferenciações internas entre tipos de psicotrópicos, pois isso, quer queiramos ou não, acaba sempre realimentando os absurdos do proibicionismo. Quando umas se tornam prescritas e outras se mantém proscritas, o proibicionismo não cessa e as fronteiras entre lícito e ilícito são apenas deslocadas (ou pior, são reforçadas). Mas é preciso por fim ao proibicionismo como um todo. Trata-se de um irracionalismo que não funcionou, não funciona e tampouco funcionará. Para acabar de vez com esta guerra, as batalhas a serem travadas são muitas e não podemos nos redimir. Temos que travar o bom combate.

Pela legalização e regulamentação de todas as drogas! Pelo fim das políticas de internação forçada! Pela ampliação da rede de atenção psicossocial! Por políticas de redução de danos! Pela livre circulação da informação sobre drogas! Por um controle efetivo da qualidade das drogas produzidas! Pela autonomia, pelo direito de decisão sobre os usos do próprio corpo! Por tudo o que há de mais sagrado nesse mundo, pelamor da segurança, da saúde, da economia, do bem-estar nosso e de noss@s filh@s, não deixemos de lutar pela vida em sua plenitude!

Nossa vitória não será por acidente!

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