Traficante ou cultivador, ninguém é criminoso

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Foto: Wesley Prado

Muito embora as Marchas da Maconha tenham aumentado e a discussão antiproibicionista tenha avançado nos últimos anos, o conservadorismo na sociedade como um todo na pauta das drogas tem se organizado e feito vítimas cada vez mais frequentes e em espectros sociais diversos. Se o caveirão e as incursões policiais prendem e matam todos os dias na periferia sob justificativa de que o governos estaduais estão “combatendo traficantes”, cultivadores começaram a ser presos de maneira mais intensa nos últimos meses.

A eleição do congresso mais conservador desde a ditadura empresarial-militar e a recente entrada de Eduardo Cunha, um dos principais nomes do PMDB na bancada evangélica, para a presidência da Câmara Federal parecem estar inaugurando um período de aumento ainda maior na repressão e na falida política de guerra às drogas.

Flávio Dilan, que utilizada a maconha que cultivava em sua casa para amenizar suas crises de epilepsia e também era militante da Marcha da Maconha, foi preso em Petrópolis dia 05 de fevereiro deste ano. Marco Sávio, músico de Ouro Preto, foi preso em 15 de outubro do ano passado. Mais recentemente, André da Cruz Teixeira Leite, o Cert da banda Cone Crew, foi preso após serem encontrados quatro pés de maconha em sua casa na região serrana do Rio. Ao certo não devemos deixar de publicizar que Cert foi preso em decorrência de uma denúncia da sogra que visava contê-lo, pois agredia sua companheira. Importante salientar ainda, que a mídia em nenhum momento veicula a agressão de Cert a sua companheira de modo a invisibilizar a violência contra a mulher, porém apesar de se tratar de um agressor machista, em hipótese alguma defendemos a criminalização do cultivo e tráfico, e ainda sim repudiamos a prisão do mesmo.

Esses são alguns exemplos de como a política proibicionista que mata todo dia dentro das favelas começou a engrossar a repressão também na direção do asfalto. Neste sentido, tentar diferenciar-se dos “traficantes” em nossa campanha e defender liberdade apenas para os artistas e cultivadores enquanto a juventude negra e pobre continua morrendo todos os dias é simplesmente virar as costas para os que hoje são as principais vítimas da guerra às drogas.

A Marcha da Maconha Niterói se solidariza com todos os presos e mortos pela política proibicionista e também pela criminalização existente sobre os movimentos sociais de maneira generalizada. Não esquecemos de Rafael Vieira Braga, Gabriel Vilela, Igor Mendes, Caio Silva, Fábio Raposo e tantos outros. Se organizar e se manifestar politicamente não é crime. Defendemos a liberdade para todxs xs presxs políticos, lutadores antiproibicionistas ou não.

10 de março em 2015, Marcha da Maconha Niterói

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