Marcha da Maconha pede o fim da guerra às drogas em Niterói

Com o tema “Cultivador, usuário ou traficante: ninguém é criminoso!”, a Marcha da Maconha Niterói 2015 aconteceu esse sábado (16/05) e reuniu aproximadamente 800 pessoas. A manifestação concentrou a partir das 14:20h com falações e agitação do bloco Planta na Mente no Terminal de Ônibus João Goulart no centro. O ato saiu pouco depois das 16:20h em direção à praça da Cantareira, em São Domingos, passando pelas ruas do Ingá. A marcha foi encerrada com uma atividade cultural que contou com as rimas de rappers da baixada fluminense e também com a apresentação da banda pernambucana N’zambi.

A guerra às drogas em Niterói tem tido números cada vez piores. Após o trágico ano de 2014, só em 2015 já aconteceram diversas mortes no Caramujo, Salgueiro, Novo México e também no Morro do Céu. Todas elas em ações policiais contra o tráfico de drogas. O cotidiano do cidadão da favela coexiste com a morte e o cotidiano da classe média com a indústria do medo. Essa não é a cidade que queremos. Esse é o quinto ano que a Marcha da Maconha toma as ruas de Niterói para denunciar a guerra às drogas e esse ano a crítica foi específica à questão criminal e ao Estado punitivista que acredita poder solucionar problemas sociais através da criminalização de condutas e da execução de penas.

As recentes prisões de diversos cultivadores como traficantes, fez com que grande parte do movimento achasse que os growers devessem ter mais destaque que as outras vítimas da guerra às drogas nas marchas desse ano. Niterói veio para colocar em pé de igualdade a necessidade de que todos sejam descaracterizados como criminosos. Seja o cultivador em seu apartamento no asfalto, seja o varejista de drogas (“traficante”) que morre todos os dias nas favelas e periferias do país. Não há um mais importante que o outro, ranquear lutas e dores não faz sentido algum, o grito do movimento esse ano é o de que ninguém ficará para trás e a luta é uma só.

Outra importante crítica apontada pelos manifestantes está nas contradições da legalização do CBD (canabidiol, composto medicinal da maconha), que agora pode ser vendido pela indústria farmacêutica enquanto o auto cultivo para consumo próprio continua proibido. Pacientes com condições financeiras para importar ampolas de CBD podem se medicar adequadamente. Pacientes sem dinheiro para fazer a importação e que optarem por plantar seu próprio remédio continuam sendo enquadrados como traficantes, ou seja, criminosos hediondos.

Esse ano a Marcha da Maconha acontece em mais de 20 cidades pelo país e no Rio de Janeiro a agenda ainda está movimentada esse mês. No fim de semana que vem a Marcha da Maconha Nova Iguaçu, na baixada fluminense, sai às ruas e no último fim de semana do Maio Verde é a vez da Marcha da Maconha São Gonçalo engrossar o movimento pelo fim da guerra às drogas no estado do Rio de Janeiro.

Fotos da Marcha da Maconha Niterói 2015 podem ser acessadas aqui.

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