Cultura Canabica

O atual momento político que vivemos, e as discussões em relação a cannabis no Brasil e no mundo nos permite analisar um tema pouco abordado, porém muito relevante no cenário atual, que é o da Cultura Canábica, como um campo amplo de relações e práticas e também como afirmação de uma posição politica sobre a maconha .

Com a proibição em âmbito global a partir da década de 1930 a maconha se transformou em sinonimo de violencia e preconceito,  e todas as produções feitas a partir dela  foram condenadas e automaticamente reprimidas. No contra- fluxo do cientificismo, sequer buscas ram entender a natureza biológica dessa planta tão exuberante e mística que serviu entre outras coisas de base filosófica, econômica e histórica para várias sociedades.Com a fibra de cânhamo muitas embarcações foram feitas na época das grandes navegações,além disso essa planta pode vir a ser papel, tecido e até combustível. O uso, religioso e medicinal da cannabis não são fatos desprezíveis , pelo contrario, não podemos negar que o uso milenar dessa erva é um traço cultural importante para a humanidade. Contraditoriamente, na maior potência capitalista do mundo, e precursora do proibicionismo da maconha os EUA, treze estados de sua federação usam cannabis como forma de tratamento médico. A economia mundial  já se beneficiou excessivamente dessa planta, não aceitar que temos que reposicionar a maconha no cenário político/social/econômico é no mínimo uma grande contradição e que precisa ser repensada pela a sociedade. O ódio e a falta de informação que o imaginário social conserva da maconha são herdeiros de pensamentos religiosos e proibicionistas que vem se sustentando com muita dificuldade e sempre com ajuda de aparatos repressores muito grandes por parte dos governos. O que vemos hoje no século XXI é a crescente onda de Cultura Canábica surgindo e propondo um novo foco para a discussão..

As Marchas da Maconha crescem a cada ano em todo o mundo, e aqui no Brasil o STF recentemente foi obrigado a ceder e reafirmou que o movimento pró- legalização da maconha tem o total direito de se expressar e sustentar sua opinião em relação a erva. A quantidade visivelmente crescente de ativistas mostra que é cada vez menor o número de pessoas que têm medo de se assumir maconheiro.

O carnaval é sem duvida uma grande expressão cultural e popular  do pais e no Rio de Janeiro o que aconteceu em 2011 foi outra prova que a Cultura Cannábica está presente e nas ruas. Esse ano o bloco “Planta na Mente”, que defende a legalização, foi um dos maiores e mais animados de todo o carnaval carioca. Também no Rio de Janeiro tivemos o I Festival Nacional de Cultura Canábica (FENACUCA), nesse festival o coletivo Cultura Verde ganhou o prêmio na categoria Cinema.  Nossos vizinhos argentinos se reúnem em grandes eventos anuais para discutir sobre o cultivo caseiro e novas maneiras de se plantar maconha, assim como no famoso e badalado Cannabis Cup  onde é realizado uma grande competição entre produtores de Cannabis na Holanda.

Na internet o número de blogs especializados emcannabis é incrível, sendo eles, em sua maioria, uma alternativa interessante à mídia tradicional hegemônica  que nunca teve interesse real em debater a questão da maconha com seriedade, sem colocar seus interesses econômicos em primeiro plano. Não podemos proibir algo que é cultural, se temos problemas que envolvem  seu uso abusivo e sem controle, não é com violência e proibição  que vamos resolver essa questão. Somente investindo em saúde pública, informação e conhecimento poderemos superar o atual modelo ultrapassado do proibicionismo, que longe de ser eficaz mata diariamente mais do que qualquer guerra entre nações no mundo.

Coletivo Antiproibicionista Cultura Verde