Movimento Social

O trafico de drogas, a criminalização da pobreza a corrupção policial, a autonomia do sujeito sobre seu corpo e, em pleno século XXI, até a liberdade de expressão entrou em pauta para compor o jogo de forças que esta posto para o tema da legalização da maconha. Obrigamos os órgãos e instituições competentes a se posicionarem sobre o tema e fizemos com que o debate chegasse de forma mais concreta para grande parte da sociedade. Os últimos anos estão sendo ótimos para nós que acreditamos na legalização da maconha e no combate à criminalização da pobreza e dos movimentos sociais. O número de cidades que marchou cresceu sensivelmente e isso esta reverberando em todo o pais.

Gostaríamos também de refletir sobre nossa responsabilidade nesse momento, somos um movimento consolidado, pelo menos para o STF e para sociedade e isso exige que nos organizemos melhor para os próximos anos. Agora o aparato policial não pode mais impedir que possamos fazer nossas manifestações de forma pacifica e democrática. Outro detalhe importante é a entrada de FHC e respectivamente a mídia com seus respectivos interesses econômicos no debate, não podemos perder de vista nossos objetivos, por isso acreditamos que as Marchas da Maconha no Brasil devam se organizar nacionalmente de forma mais unitária, fazendo com que esse avanço incrível que obtivemos em 2011 não se perca.

Fortalecer o Cultura Verde como espaço de organização de um movimento anti-proibicionista com clara intenção de aprofundar o debate pra além da Marcha da Maconha é importante neste momento. A intenção é qualificar e fortalecer nossa intervenção na Marcha da Maconha e criar espaço pra outros coletivos e atores também participarem da organização dela. O Cultura Verde deve ter mais autonomia pra intervir nacionalmente, seja em encontros estudantis ou junto a outros coletivos pela legalização, sem que isso comprometa a autonomia da Marcha da Maconha de Niterói e suas limitações temáticas: ou seja, atuar pela legalização da maconha exclusivamente e atuar territorialmente em Niterói. O acúmulo que obtivemos nesse último ano nos permite contribuir mais na Marcha de Niterói, na Marcha do Rio, nacionalmente, mas também nos permite colaborar mais com discussão acadêmica e na construção da pauta antiproibicionista em outros movimentos sociais.

Temos que parabenizar a todos e a todas que tem lutado a anos para que o tema da legalização da maconha não seja banalizado e tratado de forma preconceituosa e moral pela sociedade. Sendo a favor ou contra a legalização é preciso debater de forma  clara quais as problemáticas estão envolvidas na questão. Não é apenas o uso que esta em jogo, a liberdade individual é apenas uma parte da discussão que vem tangenciando discussões importantíssimas como a criminalização da pobreza, a criminalização dos movimentos sociais e também a política higienista de um grande número de cidades brasileiras neste período que precede os mega-eventos em nosso país.