Organize em sua cidade

FAÇA VOCÊ MESMO!
GUIA COMPLETO DE ORGANIZAÇÃO DA MARCHA DA MACONHA

organize sua marcha

(por Cultura Verde)

I – O que é a Marcha da Maconha

A Marcha da Maconha é um movimento social a nível mundial, mas organizado a nível municipal, ou seja, por cidades. Sempre acontece no mês de Maio, conhecido por alguns como ‘maio verde’. Assim, quanto mais cidades marcharem pela legalização, mais poderemos chamar a atenção da sociedade para esse importante debate. A Marcha cria o assunto ‘legalização da maconha’ ente as pessoas, promovendo a discussão do tema pela população.

II –   Organize-se Coletivamente

Busque outras pessoas que poderiam ajudar. Pratique a tolerância, muito importante nessa hora, já que nossa causa é maior que pessoas ou grupos. Organizar-se vai muito além de organizar somente a Marcha, é ter a oportunidade de debater as ideias, trocar e buscar novas informações e estudar em grupo, gerando acúmulo sobre o tema e fortalecendo o movimento de forma politizada. Nessa lógica, as reuniões devem ser abertas e divulgadas com antecedência, permitindo que o maior número de pessoas  tenham a oportunidade de participar, geralmente acontecem em espaços públicos.

III –   Questões Práticas

Algumas questões devem ser observadas para que a Marcha possa acontecer. Escolher a data e o local de concentração com antecedência, assim terá mais tempo para divulgação e a tempo de inscrever a Marcha da sua cidade no panfleto nacional da Marcha da Maconha. Falando em divulgação, acontece uma organização nacional de um panfleto, através de FÓRUNS NA INTERNET que depois são repartidos entre as cidades que irão marchar. Esse panfleto já é de grande ajuda, mas se for necessário/possível é interessante terem panfletos próprios, que chamem a atenção da população para a Marcha da cidade, especificamente. Resolvido o problema dos panfletos, só falta panfletar. Nada de panfleto sobrando em casa!

Outra tarefa é pensar a estrutura da Marcha no dia. Um carro de som faz toda a diferença, e com uma banda então, nem se fala. Lembre-se de não fumar maconha e nem usar drogas durante a Marcha, mantenha postura cordial com as ‘autoridades’. Ocupe a rua! Na calçada andamos todos os dias, marchar é na rua. Procure formas de chamar a atenção para o ato e interagir com a população, máscaras, cartazes, fantasias, baseados gigantes de papel e fumaça verde são alguns dos mais comuns. Agora duas coisas importantes: imprensa e segurança. Escolham algumas pessoas para receber e dar entrevista para os jornalistas, mas escolha também os jornalistas, um veículo de mídia tendencioso e contra a legalização somente deturpará os fatos e não nos ajudará em nada. Escolha, também, algumas pessoas para cuidar da segurança do ato, pessoas que orientarão as demais durante a Marcha e manterão o contato necessário com o comando da polícia. Voltando mais uma vez a falar sobre a mídia tendenciosa, é importante cobrir o próprio ato, tirar fotos, filmar e publicar notícias sobre a Marcha, afinal, não podemos esperar que os ‘jornais’ publiquem.

É claro que para viabilizar isso tudo será necessário pensar em uma política financeira para a Marcha, ou seja, como financiar, conseguir o dinheiro necessário para pagar a estrutura da Marcha. O mais comum é pedir doações para pessoas que notoriamente apoiem a legalização, organizar festas, vender camisas e adesivos, etc. Algumas cidades já conseguiram até arrecadar doações pela internet mesmo. O que importa é que isso não seja um obstáculo para que a Marcha aconteça.

IV – Questões Legais (das leis)

Nossa constituição garante o direito de manifestação pacífica da população, porém até o ano de 2011, muitas cidades precisavam de habeas corpus coletivo para que foce garantido o direito de marchar. Alguns juízes proibiam a Marcha e mandavam o polícia reprimir qualquer manifestação argumentando que nosso movimento se tratava de apologia às drogas. Hipocrisia! Enquanto fumam seus charutos e enchem a cara de whisk, tomam remédio pra dormir e café pra acordar, eles vêm dizer que manifestar-se por uma mudança na lei é apologia… Mas felizmente essa questão foi pacificada pelo STF (o tribunal mais importante do Brasil), que reafirmou o direito de Marchar, argumentando que manifestar-se pacificamente por uma mudança na lei de drogas não poderia ser considerado apologia a essa droga, no caso, a maconha.

Portanto, desde 2012 não é mais necessário o pedido de habeas corpus coletivo. Entretanto, mesmo garantida pelo STF, algumas Marchas foram reprimidas nesse mesmo ano. A Marcha do Rio de Janeiro sofreu um atentado da tropa de choque da polícia militar, que entrou com uma blazer no meio da manifestação e disparou uma bomba de gás, dispersando a multidão. Enquanto as pessoas corriam, atiravam balas de borracha e mais bombas de gás. Algumas pessoas ficaram feridas e foram registrar boletim de ocorrência na delegacia, a maioria fugiu para a praia, onde puderam restabelecer a paz e a confraternização…

Para realizar um ato público, como a Marcha da Maconha, a lei determina que as autoridades policial e municipal sejam comunicadas, ou seja, é necessário entregar memorandos na Delegacia de Polícia do bairro onde a Marcha for acontecer, para o Batalhão da Polícia Militar da área e à Prefeitura. Essa burocracia é necessária, diz a lei, para que as autoridades possam garantir a segurança e estrutura do ato, reforçando o apoio policial e fechando a rua. Ato público é na rua, que deve ser fechada para isso. Porém, uma faixa deve ficar livre para o trânsito, ‘garantindo o direito de ir e vir das pessoas’, argumenta o direito clássico. Anexe a decisão do STF aos memorandos, se achar necessário.

                    ANEXAR O MODELO DE MEMORANDO E A DECISÃO DO STF

V – Questões Políticas

Nós, do Cultura Verde, acreditamos que a Marcha da Maconha e a luta pela legalização da maconha é a porta que abrimos para o debate antiproibicionista e antimanicomial. Acreditamos que a proibição de qualquer droga ou qualquer coisa serve somente para criminalizar a juventude pobre e negra, levando ao seu encarceramento em massa  e ao genocídio cotidiano, servindo ao projeto de poder que está colocado, de opressão e exploração de uma maioria pobre por uma minoria rica. A minoria tem ficado cada vez menor e a maioria cada vez maior. Portanto, defendemos a descriminalização de todas as drogas e a regulamentação de algumas. Defendemos o fim da guerra às drogas, por estar provado que esta fracassou, visto que as drogas estão cada vez mais valorizadas, mais potentes, as organizações criminosas cada vez mais influentes e o consumo cada vez maior no mundo. O número de mortes por complicações devido ao uso de drogas é muito inferior ao de mortes relacionadas com a guerra às drogas e poderia ser ainda menor, introduzindo e ampliando os programas de redução de danos  no Sistema Único de Saúde, aumentando o número de consultórios de rua e de Centros de Ajuda Psico Social – Álcool e outras Drogas, poderíamos reduzir as contaminações dos usuários de drogas pela AIDS e outras doenças, distribuindo preservativos, seringas, canudos e aconselhando constantemente esses usuários, principalmente os que estão em situação de rua, diminuiria consideravelmente essas mortes.

Não defendemos a liberação de nenhuma droga. Defendemos a regulamentação da maconha, para a qual temos projetos, e a descriminalização das outras drogas. Note que o crack não existiria se a cocaína não fosse proibida e valorizada no mercado ilegal, o crack foi apresentado aos consumidores de maconha e cocaína que iam até os traficantes para adquirir mais maconha ou cocaína como uma droga nova que era muito mais barata e muito mais forte, mas não sabiam do seu alto poder se viciar. Por ser uma alternativa mais barata, viciou principalmente os mais pobres, até hoje os mais afetados pela falta de uma política de saúde séria para os usuários de crack.

A proibição não acaba com as drogas, mas tira qualquer tipo de regulamentação e controle estatal sobre a produção e o comércio dessas substâncias proibidas, entrega de bandeja um negócio bilionário para o mercado ilegal, o tráfico de drogas é um dos três mais lucrativos, junto com o de armas e o de pessoas. Sem controle, os usuários não sabem exatamente o que estão consumindo, causa de muitas mortes por overdose, pois uma ‘carga’ pode vir mais forte que a outra. Os traficantes não se importam para quem estão vendendo, logo, vendem pera crianças e adolescentes sem nenhum controle. Ofuscante contradição: na nossa sociedade um adolescente de dezesseis anos não pode comprar uma revista pornô, mas pode cheirar cocaína sem problemas.

Estudamos e discutimos alguns projetos para regulamentar a maconha no Brasil. Defendemos a autossustentabilidade do usuário, por meio do auto cultivo, que terá total controle sobre sua produção e saberá exatamente o que está consumindo. Consideramos a possibilidade de existirem cooperativas de usuários, já experimentada em alguns países, onde os usuários de uma mesma região unem esforços e recursos para manter uma produção de maconha, que será dividida posteriormente entre os usuários, sem gerar lucros. Acreditamos que a exploração comercial da maconha não deva acontecer, mas defendemos a pesquisa de suas propriedades industriais.

Outro projeto muito comentado foi o projeto uruguaio de regulamentação, que colocava o Estado como único produtor e distribuidor de maconha no país. A maconha seria plantada em fazendas públicas e distribuídas nos postos de saúde, onde cada usuário registrado poderia pegar uma determinada quantidade todo o mês e teria acompanhamento de saúde. Esse projeto foi tido como bastante avançado, mas o governo uruguaio, após grande pressão internacional, está reestudando o caso.


Cultura Verde | Coletivo Antiproibicionista e Antimanicomial