Saúde Pública

Nosso sistema de saúde não funciona como deveria e o governo federal junto com as secretarias municipais de saúde continuam, através de campanhas publicitárias bilionárias, tentando convencer  o povo brasileiro que todos tem acesso à saúde. Isso não é verdade, quem trabalha no SUS ou é atendido por ele sabe que o sucateamento e a insatisfação é geral. Temos uma lei super avançada, mas ela só existe no papel assinado, porém nunca colocado em prática de maneira satisfatória. A redução de danos é um exemplo de política pública que deve ser mais investida como solução para muitos problemas sociais, principalmente a questão das drogas.

Hoje o crack é realmente um grave problema social principalmente para as camadas sociais mais baixas, na verdade a saúde pública ainda não sabe como lidar com essa droga que realmente devasta e é muito prejudicial à saúde individual e coletiva da população. A redução de danos tem sido uma das alternativas, e a única que tem tido resultados expressivos, ela consegue atingir um número muito maior de pessoas e penetrar em locais em que o estado possivelmente teria dificuldade de cobrir com suas instituições tradicionais de saúde. Ela é mais ampla porque também está presente nas ruas, ou melhor, nos locais onde existe consumo de drogas, essa política está bem próxima dos usuários permitindo tratar visando não apenas a abstinência total e absoluta.

Diferentemente de outros tipos de ação, a redução de danos não tem como objetivo a abstinência, algumas pessoas, por mais que sejam internadas e criminalizadas por todas as instituições possíveis, não vão parar de usar psicoativos . Essa é uma constatação dura, mas real, feita a partir da prática e da realidade que vemos nos centros de saúde que trabalham com álcool e outras drogas. Hoje a política pública de saúde mental, sustentada com pouquíssimo investimento do Estado são os CAPS- AD (Centro de atenção psicossocial- Álcool e drogas).

Pelo momento crítico que vivemos, principalmente em relação ao crack, esse deveria ser o momento em que o estado mais deveria financiar os CAPS e o que vemos na realidade é o sucateamento quase que total desses centros. Reduzir danos significa na prática salvar vidas e deixar de lado preconceitos e paradigmas morais que não contribuem para uma saúde publica e de qualidade. A maconha tem sido importante nessa direção, e está sendo usada para diminuir os efeitos do crack e com ótimos resultados. Se conseguimos evitar, ao mesclar a maconha no crack, um suicídio ou uma parada respiratória penso ser mais interessante para o usuário do que apenas deixá-lo morrer sem nenhuma assistência.

Pena que nossa sociedade está enraizada em preconceitos e ainda não pensa dessa maneira. Se o THC fosse melhor aproveitado, poderia ser um princípio ativo revolucionário para a medicina e para a saúde em geral. Nos EUA vários estados usam THC para tratamento médico e é inegável que ele é terapêutico em vários casos. A maconha que a população brasileira fuma ou consome de diferentes formas é de péssima qualidade e misturada a produtos químicos que fazem muito mal à saúde dos usuários. Esse é mais um motivo para que o estado legalize rapidamente a maconha,  tirarando do mercado ilegal essa erva que está sendo vendida sem nenhum controle em todo o Brasil. É muito mais interessante para o estado que ele saiba quem são os usuários e qual é o tipo de substância é consumida pela população, do que simplesmente mantê-la na ilegalidade e sem nenhum critério para avaliação, tanto de seus danos quanto de seus comprovados benefícios para a saúde.